
Hermione Granger sempre acreditou que a relação bruxo-elfo existente na sociedade mágica era inaceitável e injusta. Os elfos são obrigados a servirem sua família – onde qualquer pedido é acatado, não importando o quão absurdo possa ser –, sem nenhum tipo de pagamento, sem direitos, magicamente castigados por si mesmo quando algo dá errado e presos à casa dos donos até que o mesmo resolva dar-lhe roupas e, com isso, a liberdade.
Parece escravidão, não? E isso nos leva a uma comparação. Por volta do século XVI, europeus saíram em busca de terras e riquezas em regiões desconhecidas. Chegaram à América, Ásia e África, mas só encontrar não bastava. Era preciso explorar. E lucrar. Então, para isso, era necessário achar gente capacitada.

Como as diferenças eram assustadoramente mal interpretadas na época, os negros foram considerados inferiores e obrigados a trabalhar nas lavouras. Transportados da pior maneira possível – as mortes ocorriam com mais freqüência durante as viagens do que no trabalho exaustivo a que eram submetidos -, separados de suas famílias, tratados como objetos, também obrigados a acatar todos os desejos do amo, submetidos a castigos, no mínimo, hediondos e presos aos donos até que morresse ou conseguisse o dinheiro necessário para comprar sua liberdade – a carta de alforria -, o que era decididamente impossível, já que não recebiam salário.
Agora vejamos… As semelhanças entre os dois modelos de trabalho são óbvias. Mas, e as diferenças? Os elfos têm sua própria mágica, mesmo não podendo usá-las sem consentimento do dono ou sem aprovação do Ministério, ainda a têm; o que é uma vantagem e tanto. Além disso, eles gostam de servir, todos eles, à exceção de Dobby, é claro.
Será que eles podem ser considerados escravos?
Ou é apenas uma maneira de viver que, de certa forma, beneficia os bruxos?
Hermione tinha razão ao iniciar um movimento libertário?
Ou não era para tanto?












